16.11.06: Herwig Turk, Paulo Pereira e Gunter Stoger
Blindspot


Blindspot é um projecto de investigação interdisciplinar sobre a percepção, desenvolvido por Herwig Turk, Paulo Pereira e Günter Stöger em colaboração com Beatriz Cantinho, Bäbel Buck e Patrícia Almeida. O projecto pretende avaliar o valor simbólico da percepção num contexto tão lato quanto possível e que inclui as suas contingências, determinismos e circunstâncias. O projecto recorre e utiliza, no entanto, procedimentos e ferramentas do âmbito das ciências. Os procedimentos e a linguagem dos laboratórios de investigação científica são retirados do seu contexto e deslocados para outros cenários, criando assim uma metalinguagem que ultrapassa as fronteiras tradicionais entre a ciência e a arte. Simultaneamente, cria-se um novo espaço heterotópico de experimentação onde os objectos, gestos e linguagem, separados dos seus contexto habituais, adquirem uma nova dimensão, fracamente reconhecível.

A abordagem utilizada pelos autores adopta a estrutura formal de um projecto de investigação, baseando-se na hipótese de que a ciência representa um meio imperfeito através do qual a percepção é utilizada como um meio privilegiado de aceder à realidade («an improved means to an unimproved end», Thoureau).

A abordagem global de Blindspot baseia-se numa colaboração continuada e numa troca de conhecimentos, métodos e procedimentos entre ciências e arte. «A percepção é o processo através do qual a estimulação sensorial é traduzida em experiência organizada» (Encyclopaedia Britannica). As ciências da visão tendem a focar os seus interesses nos processos de formação de imagem e de estimulação sensorial: do olho ao cérebro ou do fotão à imagem. Os desenvolvimentos científicos nas ciências da vida e da saúde, incluindo a anatomia, fisiologia, neurobiologia e bioquímica, criaram os meios que permitiram produzir um vasto conjunto de informação que é reunida e armazenada em grandes volumes e tratados, clássicos ou contemporâneos. Existe, no entanto, um vasto conjunto de informação que é negligenciada ou activamente deslocada para um local fora do laboratório através da aplicação dos métodos e procedimentos científicos. O que permanece são contaminações do mundo exterior e constitui, em larga medida, os objectos de estudo deste projecto interdisciplinar. Dentro do próprio projecto, a percepção é definida como uma proposição que inclui a experiência organizada dentro e entre as diversas entidades humanas e não humanas que habitam os laboratórios. Estes elementos interligam-se e comunicam através de episódios esporádicos ou por meio de incidentes, criando uma realidade que pode apenas ser apreendida numa janela temporal limitada.

O método utilizado pelas equipa de investigação envolvida neste projecto baseia-se numa forte interacção e interferência entre os elementos orgânicos e as instâncias que contextualizam a informação. «Não é possível afirmar onde acaba o órgão e começa o processamento» (Oswald Wiener). Estas interacções são altamente variáveis e dependem das disposições individuais e factores ambientais. Por isso, o mundo real existe apenas enquanto uma construção útil para interpretar percepções individuais efémeras.

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Herwig Turk