20.09.07:
N.I.P - Sonic Scope - Upgrade! Lisbon:
Edição Especial 2007


Para fechar o Verão e começar o Outono, três entidades em estreita colaboração - N.I.P. | SONIC SCOPE | UPGRADE! LISBON – irão proporcionar ao público lisboeta diversos eventos.
Na edição de Setembro, O Upgrade! Lisbon apresenta quatro projectos dos artistas participantes no programa N.I.P. (New Interfaces for Performance): André Sier (PT), Isaac Carlos (NL), Torsten Lauschmann (UK) e TokTek (NL).

“Struct 7”, André Sier (PL)
O projecto Struct 7 dá continuidade às explorações de André Sier com câmara, em ambientes áudio-visuais de imersão. Nesta peça, o espectador interage com as «sobras» dos espectadores anteriores, dispersas num espaço tridimensional fluido.

André Sier tem um curriculum multi-disciplinar, onde se conjugam a filosofia, a pintura, a escultura, a bioquímica, a música e as artes performativas. Enquanto artista-programador o seu trabalho visa estabelecer ligações entre o som e a imagem. Desde 1997, os seus trabalhos (Struct, 747, c., (), Ankh) foram divulgados em diversos países da Europa. André Sier já trabalhou com vários compositores (Pedro Rocha) e coreógrafos (Ana Mira e Sofia Borges).

“Falling Angels”, de Isaac Carlos (NL)
“Falling Angels” concentra-se na poesia do som. Aqui, o processo imprevisível da liquefacção do gelo traz-nos uma composição abstracta enfatizada por detectores de movimento (sensores) que se encontram instalados na parede que suporta a instalação. Esta instalação foi, numa fase inicial, criada com recurso a um sistema analógico completo, a microfones de contacto, a um processador de som e a um sistema de mistura, tendo sido modificado especialmente para esta apresentação. “Falling Angels” foi criado, originalmente, em parceria com o artista plástico Osnat Weiss.

Com background na área do audiovisual e comunicação Isaac trabalhou em cinema, teatro e escultura, nomeadamente  em design de cenografias, adereços e esculturas cinéticas. Desde o final dos anos 90 que Isaac se dedica aos projectos a solo (“Falling Angels”, “Whitening”), e colabora com profissionais do teatro e designers Europeus (O OLHO, Karin Post, Bob Bentley, Alex Vermeulen e Grupo ZT HOLLADIA).

“Rave Kettle”, Torsten Lauschmann (UK)
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Rave Kettle“ é o último trabalho de Torsten. Trata-se de uma rave em miniatura no interior de uma chaleira, com música, máquina de fumos, e luzes. Quando um visitante levanta a tampa, o sistema de som, não visível, dispara, tornando exterior o que era interior. O som de “Rave Kettke”  é predominantemente constituído pela emissão sucessiva de batidas repetitivas numa chaleira (referência ao decreto lei de 1994 no Reino Unido, que rege a Ordem Pública e a Justiça Criminal).

Como artista, realizador e performer, Torsten Lauschmann celebra as falhas, os out-takes, os elementos dispersos e aquelas imagens que tenderiam a ser facilmente ignoráveis. Desde meados da década de 90 que Torsten apresenta publicamente a sua arte (Mother and Child, Suburbiain 3D, Chasing Butterflies), os seus filmes (Misshapen Pearl) , a sua música (Cold Water Quartet, Slender Whiteman), o seu software ((01 game + 01) no Reino Unido e noutros países. O seu trabalho foi apresentado na Bienal de Veneza, em 2003 e 2005, e recebeu uma nomeação BAFTA em 2000 pelo se trabalho em vídeo denominado “Remember Things Before They Happen”. O seu projecto World Jump Day é considerado um dos projectos viral jam mais bem sucedidos de 2005.

“Crackle Canvas”, TokTek (NL)
“Crackle Canvas” é uma exploração contínua das pinturas sonoras deste artista holandês. Este trabalho recorre ao hardware crackle box da STEIM, e pode ser «tocado» a solo, ou ligado a outras telas, dando lugar a uma“orquestra de pinturas”. Ao ligarem-se cabos dentro de uma pintura ou entre pinturas, o som muda. Por outro lado, a côr, o comprimento e a forma dos cabos  dão origem a desenhos, no espaço ou nas parede em que as pinturas estão expostas.

O trabalho de Tom Verbruggen (aka TokTek) centra-se no tema da comunicação e da não-comunicação entre os aparelhos electrónicos e os seres humanos, com um enfoque especial na relação com esses instrumentos. Tom Verbruggen recorre à sua formação artística para explorar a relação entre o toque / memória humana e os objectos electrónicos do quotidiano. A sua abordagem e o seu estilo performativo estão particularmente patentes nos seus projectos. “Crackle Canvas” e “Moederkoek”, nos quais também participa a sua mãe, ou melhor, samples seus, ao vivo, a preparar um bolo para o público.



Paralelamente à apresentação destes trabalhos, decorrerão três conversas com Teresa Dillon, organizadora do N.I.P., com a Prof. Christina Kubish, líder do workshop e artista sonora e Lotta Melin, bailarina e coreógrafa.

Teresa Dillon (UK)
Teresa Dillon é membro fundador da Polar Produce, grupo pluridisciplinar sediado em Bristol, que trabalha em  novos media, pesquisa e actuações ao vivo. Os seus principais interesses prendem-se com a divulgação de sistemas comportamentais, e com as nuances ecológicas subjacentes aos lugares, aos objectos e aos materiais, e com a exploração das relações humana / não humana com esses sistemas. Esse trabalho tem sido expresso na sua peça para rádio “Star Gone Tones”, e em diversos trabalhos artísticos performativos em sites específicos, que incluem as peças “Enduring Love”, “Measc”, e “Come Outside”, e a instalação “The Listening Chair”.
O trabalho de Teresa Dillon já foi divulgado internacionalmente, nomeadamente na Europa, Estados Unidos e Austrália; a artista já publicou em vários tópicos no universo media. Para além de trabalhar na Polar Produce, também é produtora e investigadora  freelance, nomeadamente para a BBC, curadora, para o festival OFFLOAD e o projecto N.I.P., é também conferencista na Cambridge University. Teresa Dillon é doutourada em processos criativos e colaborantes de tecnologia musical pela Open University.
O debate que Teresa dinamizará será sobre os conceitos e os resultados da primeira edição (ou série) N.I.P.

Lotta Melin (Suécia)
Lotta Mellin é internacionalmente reconhecida desde 1995 (nos Estrados Unidos, Ásia e Europa), sendo considerada uma das bailarinas mais originais no campo da dança improvisada (coreografia instantânea). A sua forma de coreografar e as suas actuações viscerais e visualmente fascinantes são, com frequência, o fruto de colaborações com outros artistas plásticos ou sonoros. Lotta interessa-se particularmente no processo de criação de sons electrónicos ao vivo em função do movimento dos bailarinos, que permite e aprofunda novas formas de interacção entre a dança e outras artes.
Lotta trabalhou como bailarina e coreógrafa para o ensemble Alemão Die Audiogruppe, Sonic Youth, Jaap Blonk, Mats Gustafsson, Barry Guy, Michael Zerang, e Leif Elggren. Actualmente, Lotta tem vindo a desenvolver a sua actividade com o grupo Agrare, com o qual tem feito tournés. Os Agrare utilizam a música e o movimento para co-criarem performances fortes, absurdas e altamente originais. A mais recente dessas tournés passou pelo Bath Music Festival de 2006, e o trabalho então apresentado foi elogiado pela crítica. A última criação de Lotta chama-se “Behind Beyond”, e conta com a colaboração de Kathy Hinde e de Tom Bugs (Reino Unido). A estreia foi no passado mês de Fevereiro, em Estocolmo.
Lotta irá falar-nos sobre a sua abordagem da coreografia instantânea, e das suas experiências de colaboração com diversos projectos no campo do som.

Christina Kubish (Dinamarca)
Christina Kubish é uma das principais figuras pioneiras no campo da arte sonora.  O seu trabalho tem sido descrito como a “síntese das artes”: por um lado, engloba a descoberta do espaço acústico e da dimensão do tempo nas artes visuais, e, por outro, a redefinição das relações entre a forma e a matéria.
Internacionalmente reconhecida, Kubish tem vindo a desenvolver um trabalho experimental, desde a década de 70, com objectos achados, energia solar e luzes, traduzido na criação de instalações e de actuações ao vivo. Algumas das suas mais conhecidas peças fizeram uso da indução electromagnética. Aliás, foi uma das primeiras pessoas a utilizarem este método na criação de instalações sonoras. Num dos trabalhos mais conhecidos da sua autoria – “Electrical Walk Séries” -  o público usa auscultadores magnéticos, munidos de  dispositivos espiralados incorporados que reagem a campos eléctricos existentes no ambiente. Em meados dos anos 80 Kubish começou a introduzir luzes, em particular luzes ultra-violeta, como elementos de composição em muitos dos seus trabalhos (“Skylines”, “Klang Fbub Licht Quelle” e “Licht Himmel”).
O trabalho de Christina Kubish já foi exibido nas mais importantes exposições e festivais  internacionais (Bienal de Veneza, Documenta 8, Kassel, Ars Electrónica). A sua música já foi gravada por  editoras como a Cramps Records e a Edition RZ. Actualmente, Kubish é professora externa em Maastricht, Paris e Berlim, e, desde 1994, é também professora de Arte Sonora na Academia das artes de Saarbrüken, na Alemanha.
Com uma carreira de trinta e cinco anos, Kubish é possuidora de uma experiência rica e diversificada. Esta é uma oportunidade preciosa de ouvi-la e de com ela debater os conceitos subjacentes à sua visão única.