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Susana Mendes Silva vive e trabalha em Lisboa.
O seu trabalho é sobre a condição do ser humano, no seu lado íntimo, relacional, e mesmo político. Alguns dos seus projectos têm uma dimensão mais participativa e mesmo de dádiva, questionando muitas vezes o próprio universo da arte contemporânea. A artista tem usado e experimentado livremente - desenho, fotografia, instalação, performance, vídeo, novos media - tendo em conta as especificidades dos projectos ou dos espaços.
Nas performances artphone #1, #2, e art_room, a artista propunha ao público: "Não tenhas medo de perguntar tudo o que sempre quiseste saber sobre arte contemporânea.
"A artista portuguesa Susana Mendes Silva propôs o artphone, cuja idéia é bem simples: ela nos fornece o seu endereço para podermos falar (via microfone e headphone do computador) sobre arte contemporânea, usando o computador como um telefone. Falei várias vezes com Susana, nunca sobre arte, sempre sobre questões técnicas e, invariavelmente, apresentando um ou outro artista que aparecia quando conversava com ela. Na verdade, falar com uma pessoa desconhecida ao telefone te traz um tal grau de intimidade, que eu agia sempre com terror sobre tal conversa; aliás, constantemente senti uma certa compulsão a confessar coisas a essa voz desconhecida. A primeira lembrança é o texto história da sexualidade, de M. Foucault, sobre essa tara pela confissão em momentos íntimos. Ela dizia: “Não tenha medo, pergunte o que gostaria de saber sobre arte contemporânea.” - e tudo o que mais sentia era o medo. A simples presença de uma voz que fala sobre arte contemporânea tem a capacidade de inspirar situações perturbadoras ou ótimas para o que entra em contato. Podemos pensar que é uma reflexão sobre a intimidade, na Internet. O trabalho não é só a proposição, mas o resultado desse papo que nunca pode ser completamente previsível."
Carlo Sansolo, Notas sobre a curadoria e exibição do Primeiro Festival de Novas Mídias do Rio de Janeiro.
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